Ela passa à frente do espelho e ao contemplar seu reflexo de relance, volta os olhos para lá e se auto analisa. Estuda em silêncio a imagem que o espelho lhe devolve como uma telespectadora de um filme em 3D. Os braços gordos não lhe incomodam tanto quanto o queixo duplo. O formato oval do rosto já passa despercebido enquanto o nariz, apelidado de "batata esparramada", ainda na adolescência é alvo do seu desgosto. Decide ignorar o princípio de estrabismo instalado nos olhos, mas revolta-se com as sobrancelhas assimétricas. Contemplar a barriga, chamou lágrimas aos seus olhos e pensou "É assim que as pessoas me veem? Como eu sou feia".
Enquanto toma café da manhã, estuda ou transita pela casa, a imagem de si mesma a assombra mais do que as histórias de terror que ouviu quando criança. Então dá vazão aos pensamentos que gotejam em sua nuca como se ela fosse uma pedra "ninguém me amará com uma aparência dessas", "eu me esforço pra perder peso e não dá certo", "as pessoas devem se asssutar". Essas foram as coisas mais delicadas que passaram pela sua mente... Prometeu a si mesma que não choraria e não chorou, mas não conseguiu sacudir as inseguranças que a atacavam.
A autocomiseração chegou junto e a fez lembrar do bullying sofrido na escola por sempre estar acima do peso. Soprou em seu ouvido inverdades e ela deixou-se seduzir por elas. "Beleza é para poucos, ao menos sou inteligente", repetiu mentalmente. Timothy Keller já diz que tanto o complexo de superioridade quanto o de inferioridade tem a mesma origem: orgulho. Naquele momento era a única coisa que flamejava em seu coração.
A adolescêcia conturbada e a juventude roubada pela necessidade de ser sexy para ser notada permaneciam nas sequelas que carrega no coração. Descobriu desde cedo que o corpo poderia ser uma arma e a utilizou sem dó. Colocou sua identidade naquilo que lhe deu poder: a "liberdade" sexual e a hipersexualização de si mesma.
Mas o tiro saiu pela culatra e invés de ser livre, tornou-se escrava. O que a cultura gritou e ela acatou sem senso crítico tornou-se seu ídolo e este reinvidicava sacríficio da modéstia e dos princípios que nortearam sua vida até aquele momento. O culto àquele deus a matou de insatisfação, quando pensou ter descoberto quem realmente era, estava tão perdida que várias vezes tentou tirar a vida.
Agora as coisas são diferentes, sabe que sua identidade está firme na rocha, mas ainda assim procura contentamento em uma padrão distorcido de beleza. No íntimo, sabe que única afirmação da qual precisa está no alvo maior, porém ainda pega-se mendigando migalhas de aprovação de si mesma e do mundo. Por que eu faço isso, meu Deus? Questiona-se mentalmente.
A adolescêcia conturbada e a juventude roubada pela necessidade de ser sexy para ser notada permaneciam nas sequelas que carrega no coração. Descobriu desde cedo que o corpo poderia ser uma arma e a utilizou sem dó. Colocou sua identidade naquilo que lhe deu poder: a "liberdade" sexual e a hipersexualização de si mesma.
Mas o tiro saiu pela culatra e invés de ser livre, tornou-se escrava. O que a cultura gritou e ela acatou sem senso crítico tornou-se seu ídolo e este reinvidicava sacríficio da modéstia e dos princípios que nortearam sua vida até aquele momento. O culto àquele deus a matou de insatisfação, quando pensou ter descoberto quem realmente era, estava tão perdida que várias vezes tentou tirar a vida.
Agora as coisas são diferentes, sabe que sua identidade está firme na rocha, mas ainda assim procura contentamento em uma padrão distorcido de beleza. No íntimo, sabe que única afirmação da qual precisa está no alvo maior, porém ainda pega-se mendigando migalhas de aprovação de si mesma e do mundo. Por que eu faço isso, meu Deus? Questiona-se mentalmente.
Olha através do vidro da janela e admira-se com o contraste harmônico entre as árvores e o céu. Perde ao noção do tempo ao contemplar tamanha riqueza de detalhes, sabedoria com que o Criador os formou, a ordem que cada um deles obedece. Respira fundo ao pensar que a mente do Senhor não pode ser conhecida totalmente por um ser minúsculo como ela. Como um novelo de lã se desenrola, um pensamento puxa o outro e uma epifania a alcança: eu sou uma criação de Deus.
Volta à frente do espelho e encara a si mesma de novo, lembra-se do que uma amiga lhe disse meses atrás... "Deus é absoluto. Se tudo o que ele criou é belo, então a beleza não é relativa". Em um diálogo interno, aproxima-se do espelho e encara sua figura intensamente. Coloca uma mecha do cabelo para trás da orelha e respira fundo. É Nele, é Nele que está minha identidade, sou sua criação, afirmou internamente.
Lembra das amigas, que mesmo magras, também são inseguras. Volta para o quarto, deita na cama e encara o teto enquanto pensa o que Deus acha ao ver como ela trata a obra Dele... Medir-se segundo medidas humanas e o esquema do mundo é tentar encaixar-se em padrões que não são os de Deus. Já tinha chegado a esta conclusão antes, mas como a escreveu na areia, as ondas do esquecimento a apagaram. Sua identidade, o que a compõe como ser humano, e o que valida sua existência está somente no Criador.
No mesmo instante, o coração fica leve como uma pluma. Ali mesmo, deitada, fecha os olhos em oração e inicia uma conversa com o Pai celestial... Pediu que escrevesse com o Espírito Santo aquela verdade nas tábuas do seu coração...
Lembra das amigas, que mesmo magras, também são inseguras. Volta para o quarto, deita na cama e encara o teto enquanto pensa o que Deus acha ao ver como ela trata a obra Dele... Medir-se segundo medidas humanas e o esquema do mundo é tentar encaixar-se em padrões que não são os de Deus. Já tinha chegado a esta conclusão antes, mas como a escreveu na areia, as ondas do esquecimento a apagaram. Sua identidade, o que a compõe como ser humano, e o que valida sua existência está somente no Criador.
No mesmo instante, o coração fica leve como uma pluma. Ali mesmo, deitada, fecha os olhos em oração e inicia uma conversa com o Pai celestial... Pediu que escrevesse com o Espírito Santo aquela verdade nas tábuas do seu coração...

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