Poderia ser o despertador ou até mesmo a luz do sol invadindo o quarto a me acordar, mas o dia começa às 6h18min com uma mensagem de um paciente internado com suspeita de COVID-19. Com o coronavírus a normalidade tornou-se incomum, mas graças a Deus ainda consigo ser grata por dormir, acordar e tê-lo me guardando. Não é comum receber uma mensagem como esta no início do dia, mas o senso de normalidade perdeu-se em meio a quarentena devido a ansiedade e medo provocado pelo vírus. Cerca de uma hora depois recebo outra mensagem, dessa vez o remetente é a enfermeira informando que o avental descartável acabou e precisa-se de uma reposição. As notícias fazem-me de alvo e bombardeiam-me antes que eu saia da cama. Tomo banho, me visto e saio sem tomar café. Não estou sem apetite, mas optei por não comer porque passei mal o domingo inteiro, o que levou-me até a suspeitar que pudesse ter contraído o vírus. O seguro morreu de velho, mas não era o caso. Antes de ir para à Unidade Básica de S...
Ela passa à frente do espelho e ao contemplar seu reflexo de relance, volta os olhos para lá e se auto analisa. Estuda em silêncio a imagem que o espelho lhe devolve como uma telespectadora de um filme em 3D. Os braços gordos não lhe incomodam tanto quanto o queixo duplo. O formato oval do rosto já passa despercebido enquanto o nariz, apelidado de "batata esparramada", ainda na adolescência é alvo do seu desgosto. Decide ignorar o princípio de estrabismo instalado nos olhos, mas revolta-se com as sobrancelhas assimétricas. Contemplar a barriga, chamou lágrimas aos seus olhos e pensou "É assim que as pessoas me veem? Como eu sou feia". Enquanto toma café da manhã, estuda ou transita pela casa, a imagem de si mesma a assombra mais do que as histórias de terror que ouviu quando criança. Então dá vazão aos pensamentos que gotejam em sua nuca como se ela fosse uma pedra "ninguém me amará com uma aparência dessas", "eu me esforço pra perder peso ...